quarta-feira, 19 de novembro de 2008

EU FUI O PRIMEIRO E ÚNICO BILLY SHEARS

Existe uma linha muito fina que separa o óbvio em absurdo. A realidade, em ficção. A coragem em fuga. Com estes versos, Paul McCartney inicia seu novo mais novo trabalho, com o álbum " CHAOS AND CRIATION" em "Fine Line". A linha tênue que separa todos nós!
A lenda da morte de Paul McCartney apareceu no final dos anos 60, e teria sido criada supostamente por um disk jockey americano, que dizia ter encontrado nas músicas dos Beatles “pistas” que evidenciariam a tragédia. Com o aparecimento da internet, essa história, que já estava morta há tantos anos, conseguiu voltar da tumba e, continua ainda tão boa, interessante, estranha e curiosa, como quando surgiu. Ganhou força com o passar dos anos e ainda hoje, deixa muitas dúvidas. Tanto em novos fãs, ou meros admiradores.
A teoria era a seguinte: Paul McCartney teria morrido num grave acidente em 1966, e teria sido substituído por um sósia (Billy Shears), para sua morte não representar o fim da máquina milionária que eram os Beatles! Só que o “boato” acabou tomando proporções extraordinárias! Paul teve de aparecer várias vezes declarando-se “oficialmente vivo!”.

O que eu fiz foi tentar contar esta história fantástica pelos olhos daquele que teria sido o sósia substituto de McCartney, William Campbell, ou “Billy Shears”. O nome William Campbell, chupei de outra lorota com The Beatles: a de que seria o garoto que teria entrado na loja de Brian pedindo o disco “My Bonnie” de uns tais Beatles. Mas ele também nunca existiu...
Em nenhum momento, houve qualquer intenção de colocar mais lenha nesta fogueira, ofender alguém ou de querer confundir qualquer pessoa. Nem mesmo denegrir o mito. Ao contrário! Como sempre, foi tudo por amor. Apenas mais uma homenagem ao talento extraordinário dos Beatles. Lembrem-se: William Campbell nunca existiu. NADA É REAL!

Edmundo Macalé



15 de novembro de 2005

Amanhã, quarta-feira, 16 de novembro de 2005, a mais nova excursão de Paul McCartney - CHAOS AND CREATION IN THE BACKYARD - que está varrendo os Estados Unidos de costa à costa, chegará na cidade onde nascí e vivo há tantos anos. Sacramento, Califórnia. Todo mundo sabe que será um mega-evento, um concerto monstruoso como todos que ele faz desde o fim dos Beatles. O show será no Superdome, bem perto de onde moro.
A expectativa pela chegada de Paul McCartney e toda sua equipe, me deixa com o coração apertado. Angustiado, nervoso, preocupado e com muito medo. Chego até mesmo a sentir uma certa raiva e um grande ressentimento. Raiva? Ressentimento? Medo? Sim. Isso mesmo. De que o pesadelo nunca tenha fim. Talvez não devesse me sentir assim. Afinal, ele nem sabe que eu ainda existo ou mesmo que vivo aqui. “Não há nada com que me preocupar.” Diz a canção dos Beatles. Só que, depois de mais de trinta e cinco anos, tudo o que aconteceu me traz muitas lembranças. Todas ruins.
Não existe nada que eu possa falar sobre Paul McCartney que todo mundo não saiba. Exceto uma coisa: a verdade. Que foi enterrada há tantos anos no cemitério do esquecimento.
Esta história, parecerá com certeza, apenas um devaneio absurdo. Mas prometo que só falarei a verdade. Eu mesmo, passei muito tempo tentando saber e entender, se, de fato, aquilo tudo teria realmente acontecido. Mas foi tudo verdade. Aconteceu, sim. E foi comigo! Quase enlouqueci. Talvez tenha enlouquecido mesmo! Esta será a primeira e talvez única vez que falarei sobre este assunto. Gostaria de deixar claro que desde cedo, desde o início dos Beatles, sou um grande fã e admirador de Paul McCartney. Para mim, ele é o maior artista do planeta em todos os tempos, em todos os sentidos. Mesmo que, apesar de toda sua arte e grandeza, seja apenas um pobre mortal como eu e você. Sujeito à todas as fraquezas de um ser humano. Não vou julgar ninguém, para nunca ser julgado. Fui uma vez, e não foi bom!

Meu nome é David William Campbell. Filho de Catherine e Thomas Campbell, ex-Major da Força Aérea dos Estados Unidos, morto, enfartado (?) em 1965. Minha mãe morreu quando eu tinha dez anos. Nascí em New York, no dia 18 de junho de 1943 (mesmo dia de Paul McCartney, apenas um ano mais novo. Ele é de 42 - Ah! também sou canhoto e tenho um irmão mais novo). Nunca vivemos muito tempo no mesmo lugar. Em 1960, meu pai foi transferido para uma base militar numa pequena cidade na Inglaterra de nome St. Albans, que fica mais ou menos entre Londres e Cambridge. Ele nunca gostou muito da mudança. Eu sim, adorava mudanças!

Fomos instalados dentro da base numa bela casinha perto de uma capela. Não houve nenhuma dificuldade em nossa adaptação com a nova vida. Para mim, tudo era festa. O rock and roll fervilhava em cada esquina e fazia toda uma nova geração se sentir pela primeira vez, feliz. Consegui um emprego de meio período como ajudante de um velhinho dono de uma pequena livraria, Mr. Mackenzie. No outro estudava. E no outrosó queria saber de Rock and Roll. Namorava as meninas da cidade e me gostava muito de arte. Haley, Berry, Perkins e Richard. Shakespeare (um dos meus preferidos, Vincent, Pablo e Presley. Assim, passava minha vida feliz e sonhando como qualquer rapaz naquela idade deve fazer.
Isso foi até os Beatles explodirem em 63! Ali a coisa mudou.
Mudou muito! A popularidade deles não me fez muito bem! Sem mais nem menos, de uma hora para outra, todo mundo, todo mundo mesmo, todas as pessoas que eu conhecia e mesmo as que não conhecia, começaram a dizer que eu era a cara do Beatle Paul McCartney. Que eu era sósia dele, ou talvez um irmão perdido ou bastardo. Até meu pai me achava parecido com ele! Tínhamos o mesmo peso, altura, e até nasci no mesmo dia dele. Claro, que eu percebia que havia muita semelhança, mas achava aquilo tudo um enorme exagero. Os problemas começaram quando, me tornei muito popular e conhecido entre todos em todos os lugares que ia. Comecei a gostar da coisa, e fui ficando convencido. Quando percebi, estava realmente imitando Paul.

Os Beatles foram o fenômeno mais espetacular que eu já conheci e vivenciei. Como diziam na época, eram o maior produto de exportação da Inglaterra. Era impressionante a forma como dominavam a mídia. Estavam estampados na primeira página dos jornais e revistas, em todos os canais de televisão e todas as estações de rádio. Às vezes com quatro, cinco hits nos primeiros lugares. Passou-se um ano e todo aquele sucesso não acabava. Ao contrário. O culto ao mito só aumentava. Claro que meu sucesso como sósia de metade da dupla de compositores mais popular do planeta também. Eu observava tudo em cada detalhe, cada foto, cada aparição na TV. O tempo todo ”estudava” Paul McCartney. Cada gesto, cada movimento, cada expressão. Primeiro comprei um violão, depois uma guitarra e finalmente, consegui um modelo do baixo Hofner muito parecido com o que Paul usava. Tinha uma banda cover chamada “The Bells” e nos apresentávamos duas vezes por semana numa pequena boate da cidade. E as pessoas até gostavam. Imitava a voz e o jeito de Paul tão bem que todos se confundiam. E também seus modos. A maneira de falar, de beber, de comer e vestir. Muitos amigos diziam que eu havia enlouquecido quando resolvi dizer sim à minha semelhança com ele. Nunca me preocuoei com isso. Achava legal! Eu gostava de imitá-lo! Ele era o melhor! O maior! Ele era meu herói. Meu ídolo.
Tudo corria bem, até que, no início de 1965, encontrei meu pai morto quando cheguei em casa. Foi terrível! Aquilo me deixou muito abalado. O funeral foi com todas as honras de um homem íntegro, honesto, trabalhador, e militar. Os responsáveis pela base me disseram que poderia permanecer vivendo na casa pelo tempo que precisasse. Menos mau. Assim, apesar de toda aquela tristeza tentava levar a vida em frente. Agora, estava realmente só. Continuei estudando, trabalhando e procurava manter tudo como se nada tivesse acontecido. Logo, começaram a surgir as primeiras dificuldades. A financeira era a maior delas! Naquela época, e mesmo hoje, demoraria meses até que eu recebesse qualquer tipo de idenização pela morte do meu pai. Os Beatles aliviavam bastante minha dor com sua alegria e suas canções. Achava que a semelhança com Paul McCartney aumentava mais e mais a cada dia. De que adiantava? Se não tinha mais como me manter. Vivia apavorado com a falta de perspectivas.

Entre os meses de outubro e começo de novembro, os Beatles estavam trabalhando no álbum que seria chamado “Rubber Soul”. Sempre cumprindo rigorosos cronogramas. Até chegar o dia 9 de novembro. O fatídico dia da morte de Paul McCartney.
Na manhã do dia 8, os quatro Beatles foram direto para o centro de Londres comprar motos. Cada um escolheu seu modelo preferido. Tudo não levou mais que meia hora. Voltaram para Abbey Road montados nelas! Ouviram algumas fitas com gravações feitas no dia anterior, fizeram algumas novas e depois saíram para passear com as motocas novas! Como os próximos dois dias eram de folga, Paul e George iriam bem cedinho, naquela madrugada do dia 9, para Liverpool, visitar parentes e amigos. Foram com as motos. Péssima idéia. O tempo estava muito ruim. A chuva era fina e intensa. O vento, muito forte. A pista, molhada e escorregadia. A névoa escondia quase tudo: luzes, cores e sinais. Então, houve a derrapagem! A morte veio surgindo rapidamente debaixo das rodas de um pequeno caminhão. Paul e a moto foram deslizando, ecorregando, até serem atravessados pelos pneus do monstro que vinha na outra mão. O corpo de McCartney foi muito mutilado. A cabeça, com o rosto totalmente desfigurado foi arremessada bem longe. O motorista do caminhão, também perdeu o controle e se espatifou quando bateu de frente num poste. Com George Harrison, que estava em outra moto, nada houve, além de presenciar aterrorizado tudo que aconteceu. Eram cinco horas da manhã de uma quarta feira. Ali, era o fim de Paul McCartney. Talvez dos Beatles. E talvez o meu também.
Antes mesmo da chegada da polícia, assessores e advogados da EMI e dos Beatles já estavam no local. Pistas e provas foram removidas e alteradas em poucos minutos. Até o corpo de Paul teria sido substituído por o de algum indigente sem qualquer possibilidade de ser identificado algum dia. Esta, foi a história que aqueles caras me contaram. E eu acreditei! Caras? Que caras

No dia seguinte, os jornais noticiaram que houve um grave acidente entre uma moto e um caminhão na estrada que fazia a ligação entre Londres e Liverpool com vítimas fatais. Mas nunca foi mencionado qualquer espécie de envolvimento de algum dos Beatles naquele desastre. E nem seria nunca!

Em St. Albans, a vida seguia tranqüla e corriqueira, embora todos comentassem sobre o acidente acontecido não tão distante dali. Naquele dia, estudei, trabalhei e quando voltei para casa percebi uma movimentação estranha na base. Quando cheguei, haviam dois carrões de luxo bem na frente da minha casa. Ainda não teria se passado vinte e quatro horas da morte de Paul McCartney.

Eles desceram dos carros. Eram três homens vestidos completamente de preto. Um deles tinha uma mala. Usavam sobretudos, luvas, chapéus, e óculos escuros. Perguntei o que queriam e disseram que seria melhor que entrássemos pois a conversa seria meio longa. Se apresentaram e se identificaram como representantes de uma multinacional. Disseram-me que lamentavam pela morte do meu pai e que, dali para a frente, tudo seria diferente. Pedi que fossem direto ao assunto. Foi quando fui fulminado pela notícia da morte de Paul McCartney. Fiquei estarrecido, sem saber o que pensar ou o que dizer. Eles foram muito convincentes em todos os detalhes e argumentos. Contaram como tudo ocorreu e como fizeram toda aquela “operação-limpeza” e como nada foi noticiado.Eles compraram todos! Subornaram todos! Aquilo tudo era um absurdo terrível. Não poderia estar acontecendo de verdade! Porque estavam ali? Porque estavam me contando aquilo tudo? Pediram que me acalmasse, e então me contariam detalhe por detalhe dessa trágica história e ainda o que faltava. Me acalmar? Meu Deus! Meu ídolo estava morto e eles diziam que mudariam minha vida. Não sabia se chorava, ou se sorria. O que faltava? O que poderia ser o resto da história? Como sempre tive certeza de que, se um dia contasse, ninguém acreditaria, vamos lá: eu havia sido eleito por um conselho formado entre músicos, produtores, e empresários para ser Paul McCartney. Isso mesmo. SER Paul McCartney! Perguntei: que empresários? Não disseram. Que produtores? Não disseram. Que músicos? The Beatles. Responderam secamente.

Surreal não define aquela situação. Nem absurdo, nada! Como seria possível alguém se corromper ao ponto de aceitar uma proposta daquelas? Então eles me mostraram. Abriram a mala. Havia muito dinheiro. Muito dinheiro mesmo! Me disseram que logo haveria outra e depois mais outra. Eu aceitei. Disse sim! Sem titubear. Me vendi. Aquele foi meu primeiro grande erro na vida. Amanhã, eu seria um boneco fazendo mímica de Paul McCartney. Aquele que era dos Beatles... Os homens mais poderosos da terra! Nada mal, pensei. Não estava de todo errado. Mas, quando aceitei, nunca imaginei que a “coisa” pudesse ser ainda pior!

Londres
Quando acordei e abri os olhos na manhã do dia seguinte, achei que tudo tinha sido apenas um sonho louco. Mas não foi. Estava na suíte de um hotel bem confortável numa região muito bonita nos arredores de Londres. Corrí para me olhar no espelho. Meu Deus! Eu era realmente a cara dele! Estava perdido! Não tinha como voltar atrás. O telefone tocou. Eram aqueles caras dizendo que me esperavam na recepção e que não demorasse! Lá estava eu, rodando pelo centro de Londres com três homens que eu nem conhecia, prometendo que iriam mudar minha vida! Eu não conseguia acreditar que estava acontecendo comigo. Finalmente, chegamos no tal lugar. Era um prédio bem antigo e charmoso. Entramos num escritório imenso dividido em várias salas. Tudo muito elegante e de muito bom gosto. Uma senhora mandou que esperássemos e fez umas ligações. Minha cabeça estava muito confusa. A morte do meu pai, a insegurança financeira, a morte de Paul, a escolha que fiz...estava bastante perturbado. Não conseguia parar de imaginar que aquilo tudo tinha que ser um interminável pesadelo. Não era coisa deste mundo! E, para aumentar ainda mais minha angústia e tensão, tinha absoluta certeza de quem encontraria ali, quando atravessasse aquela porta.

Entramos. Foi então, que enlouqueci de vez!!! No meio de tanta gente estranha, empresários, produtores e advogados, lá estavam eles! E não eram três Beatles que estavam ali. Eram os quatro! E imaginem: Paul McCartney foi o primeiro a vir me cumprimentar, sorridente como se nada tivesse acontecido. PUTA QUE PARIU! O palavrão era muito pouco...minha vontade era de encher todos de porrada! O s três caras de preto logo me seguraram e mandaram que me sentasse e me acalmasse. A história ainda estava bem longe de terminar. Achei que fosse ter um colapso de tanta raiva. Minha cabeça parecia que ia explodir! Não conseguia raciocinar. Estava bem mais chocado em ver aquele puto ali, vivo, do que senti quando soube que havia morrido!

Como ele, ou eles, seres humanos, superastros, ou sei lá o que eram, ou achavam que eram, poderiam um dia imaginar em brincar com a vida das pessoas daquela forma? O que era tudo aquilo? Nada me acalmava! Talvez, tivessem até matado meu pai. Eu Dizia NÃO e NÃO a tudo o que falavam. Quando pareceu que não havia mais argumentos, um dos caras de preto pegou a outra mala. ÊTA! Mais dinheiro! O jogo ficou realmente pesado! Diziam que toda aquela grana seria minha se concordasse com tudo e ficasse com o bico fechado. Pois muito bem, aceitei. Me vendi completamente. De novo! Passaram-se horas, até que eu fui me acalmando, me conformando e começando a sentir um certo conforto com a idéia do dinheiro. Daquele dia em diante, minha vida não me pertenceria mais. Nem seria a mesma! Aí, eles começaram a me falar do plano tim-tim por tim-tim. Todos aqueles homens ali reunidos, os empresários, produtores, advogados e os próprios Beatles, só queriam uma coisa: vender alguns milhões de discos a mais. Simples, não? O plano era o seguinte: a partir do próximo álbum, RUBBER SOUL, os Beatles “restantes” começariam a deixar pistas para os fãs, onde estariam evidências da suposta morte de um deles. Eles deixariam essas pistas por um ou dois anos e então lançariam um álbum com todas as provas definitivas da morte de Paul McCartney. Alguém dispararia o gatilho dizendo que desvendara todo o mistério. A popularidade deles e a venda dos discos seria algo de que nunca se ouviu falar na história da indústria fonográfica!... Então, o belo Paul apareceria dizendo que tudo aquilo era pura imaginação de algum louco (quanta ironia!). E a vida seguiria normalmente. Só que, todos estariam muito mais ricos! E, assim foi!

No outro dia, fui submetido a uma cirúgia plástica para uma correção no nariz que me deixaria, definitivamente, o sósia perfeito de Paul McCartney. Quando me viram, os Beatles levaram um susto! Eu estava igualzinho ao Paul! Disseram que o nome William Campbell não combinava com nada deles. Lennon me perguntou quem era meu artista preferido. Eu disse que eram eles! Qual o segundo? Respondí Shakespeare. Ele cortou e brincou com algumas letras e ali, naquele dia, fui batizado BILLY SHEARS.

Minha estréia como beatle foi fazendo o ensaio para a foto que seria usada na capa de RUBBER SOUL. Depois vieram os vídeos promocionais e então anunciaram que não fariam mais excursões. Depois, REVOLVER, depois, férias para todos. Eu só seria usado novamente em três meses quando aparecemos com os visuais do início da fase psicodélica. Os bigodes deixavam todos com um ar ainda mais misterioso. Meu trabalho era muito simples: eu era um mero dublê de corpo para quando fosse conveniente para ele, Paul, ou eles, Beatles. Havia reuniões semanais onde eram feitas várias pautas. Eles diziam exatamente os segundos, os minutos, as horas em que eu deveria substituí-lo. Cada detalhe era passado e repassado várias vezes. Sempre haveria uma pequena diferença que fosse, entre eu e o verdadeiro Paul. Uma camisa de outra cor ou simplesmente uma rosa. Tudo era feito com muito cuidado. Aquele, teria sido o maior golpe de marketing da história do show business. Mas o segredo se manteve até hoje! Aquilo foi um pacto! Eu adorava aquela vida. Mesmo não sendo a minha. E gostava muito deles!

Então, lançaram SGT. PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND. Seu projeto mais ambicioso até então. O disco vêm recheado de provas e pistas que vão deixar a imaginação das pessoas, viajar tanto, ao ponto de deixar um simples boato ganhar quase vida própria. A própria capa, traz dezenas delas. É a principal. É a clara visão de um funeral. De Paul. Estas “pistas” continuarão nos encartes, nas gravuras, nas fotos ...e, enfim, nas canções: “...Então deixe-me apresentá-los o primeiro e único Billy Shears...”. Logo no final da faixa de abertura. O álbum foi um sucesso monstruoso. Não por causa das tais pistas. Mas porque é um divisor de águas. Inovador no principal sentido da palavra. Eles trabalharam muito mesmo neste disco. Sgt. Pepper’s foi o primeiro álbum conceitual de uma banda de rock. As faixas se completam. E, o primeiro a trazer as letras de todas as canções. É um dos melhores discos de todos os tempos! Depois de Pepper, novos filmes promocionais, muitas fotos e muitas festas.

É preciso lembrar que eu não era Paul McCartney o tempo todo ou quando eu queria. Ao contrário. Apenas quando me era determinado e fosse conveniente com a loucura deles. Eu era uma marionete, um fantoche. E adorava tudo aquilo! Achava o máximo! Hoje, percebo como era tolo, e como o tempo passava tão depressa.Era como um turbilhão. Brian Epstein, o “homem-forte” dos Beatles morreu. Isso não foi nada bom para ninguém.

No ábum seguinte, e no filme, MAGICAL MYSTERY TOUR, tornaram a repetir a dose. Novamente, havia uma enorme quantidade de “dicas” que “talvez” pudessem induzir alguém a acreditar numa idéia louca daquelas. Depois, veio a viagem para a Índia, a coisa toda do Maharishi, o lançamento da APPLE e a aparição de Yoko Ono. Foi quando tudo começou a desandar. Lançaram YELLOW SUBMARINE, e logo em seguida, o ÁLBUM BRANCO, onde já apareciam sinais claros de que as coisas não iam bem. Já não estavam nem “aí” para a história da clonagem, ou do clone. Começei a achar que tudo estava acabando. E me entristeci. Os Beatles, agora, eram só problemas! Passaram-se quatro meses, e eu não era usado mais para nada! Estávamos no início de 69, e eu já dava como encerrada minha breve carreira como beatle. Até que um dia alguém apareceu gritando - acho que Mal Evans - dizendo que a bomba tinha explodido! A “campanha do boato” havia sido deflagrada. Como? Não sei. Alguém teria feito um telefonema para uma obscura rádio nos Estados Unidos e a notícia correu o mundo numa velocidade inacreditável.

Íncrível! Impressionante! Asustador! Tudo aconteceu exatamente da forma como foi planejado. Claro que, muitas vezes achei que poderia funcionar, mas nem de perto, imaginei tamanho alvoroço. Eu sabia que aquilo tudo que acontecia era o prenúncio do meu fim. Nessa altura, os Beatles, praticamente já tinham ido pro espaço como grupo. Ninguém, ligado à eles poderia dizer sequer uma palavra sobre o assunto. Eles mesmos, os quatro, tenho certeza que nem ligavam mais para essa tolice. Só que a historinha monstro que tinham criado, realmente estava incomodando muito. Apesar dos problemas, iniciaram as filmagens do projeto “GET BACK” que acabaria se chamando LET IT BE. Eu apareci em apenas uma cena que nunca foi usada. Eles estavam péssimos! Eu também. O clima era horrível. Depois de toda a tensão do filme, Paul sumiu por uns tempos e se casou com Linda (que eu conheci muito bem!) Lennon se casou com Yoko Ono e começou sua luta pela paz, George foi experimentar possíveis novos rumos e Ringo se apaixonou por cinema. Quando os encontrei novamente, foi numa reunião de negócios bem pesada onde decidiram fazer mais um álbum. Então começaram os ensaios de ABBEY ROAD. The last one. O fato é que a história do boato foi crescendo, crescendo, e havia explicações a serem dadas. Paul, conforme planejado anos antes, convocou uma entrevista coletiva com a imprensa declarando-se “vivinho da silva” e que era ele mesmo em “carne e osso” quem estava ali.

Era novembro de 1969, quando ABBEY ROAD foi lançado e se tornou outro dos seus maiores sucessos. Talvez, o melhor disco dos Beatles. Como sempre, tudo funcionava de forma muito rápida. O álbum era lançado e no outro dia invadia todas as paradas. Ainda mais no caso específico deste álbum, que pegava carona na história do boato. Abbey Road, apesar de ser o último disco dos Beatles, ou mesmo por isso, talvez seja o mais significativo. Para mim, todo o “fim” é exaustivamente mostrado e dissecado, nesse disco com toda a beleza. Em cada faixa, em cada nota, em cada sulco. Cada frase. Este é o tal álbum que traria as tais provas definitivas da morte de Paul McCartney. A maior delas, está na foto da capa. Era eu quem estava lá! Foi tirada em setembro. Me recomendaram que trocasse o passo em relação aos outros, que segurasse o cigarro com a mão direita e tirasse as sandálias. Toda a concepção da capa foi de Paul. O fusquinha, o furgão, nossas roupas, a direção que iríamos...tudo! Aquele dia, foi o último que eu estive com os Eles. Tudo desmoronou rapidamente! Aqueles três homens vestidos de preto, com sobretudos, luvas, chapéus, e óculos escuros, que eu não via há tanto tempo, apareceram novamente. E vejam só: um deles tinha uma mala! Pela terceira vez, me corrompí. Este foi, com certeza, o maior erro da minha vida. Toda aquela história absurda acabou virando pelo avesso. Poderia ter acabado com a farsa toda ali. Mas, não! Fui, novamente submetido à outra cirurgia plástica para me “desparecer” com ele. Depois, fui terminantemente proibido e ameaçado de dizer qulaquer coisa, de falar com quer que fosse sobre nada do que aconteceu. Me deportaram de volta para os Estados Unidos, e, curioso: a promessa deles foi cumprida: minha vida nunca mais foi a mesma!

E Foi isso. Foi assim que tudo aconteceu! A história de como do dia para a noite me tornei príncipe e depois, da mesma forma, voltei a virar sapo. Foi me sentindo assim que passei os últimos trinta e cinco anos. Nunca liguei para eles e nunca pedi nada! Não guardei nada. Não tenho sequer um disco dos Beatles! Em dezembro de 1980, quando foi noticiado o assassinato de John Lennon, cheguei a pensar: Meu Deus! Lá estão eles de novo! Mas, logo caí em mim, e vi que nada era brincadeira.

Hoje, vivo aqui, em Sacramento. Sou casado. Gosto e cuido de uma boa mulher. Sou pai dos seus dois meninos, e, professor de psicologia. Escrevo teses sobre “O comportamento sombrio da mente humana”. Engordei, fiquei careca, uso óculos e sou barbudão. Faço tudo para não me parecer com ele. Embora, sempre apareça um chato que diga: “Ei, você me lembra alguém...”.
Mas, foi muito bom. Falar de tudo me tirou um grande peso dos ombros. Até mesmo aquela “raiva, ressentimento e medo” que havia falado no início, tornaram-se uma bela nostalgia.
Como prometi no início que só falaria a verdade, hoje, pela manhã, passei numa loja e comprei“CHAOS AND CREATION...” Agora mesmo, está tocando Jenny Wren. Linda. Belíssima! É possível até, que vá ao grande show de amanhã! Talvez, até, peça para ele autografar... Quem sabe, até, ele me chame de BILLY, na frente de uma monte de gente que não vai entender nada. E talvez,
finalmente, eu possa dizer apenas: Você está morto. PÔU!

Pistas da morte de Paul McCartney na música dos Beatles

Rubber Soul

Os Beatles olham de cima para baixo como se observassem um túmulo. Todos estão sérios. Menos John Lennon. A fotografia teria sido distorcida para disfarçar que já não eram mais os mesmos.
A letra de Girl diz "that a man must break his back to earn his day of leisure will she still believe it when he's dead", uma citação à morte, que apareceria muito daqui para a frente.
Em I'm Looking Through You : "You don't look different but you have changed, I'm looking through you, you're not the same... you don't sound different... you were above me but not today, the only difference is you're down there...". Você não parece diferente mas você mudou, eu olho através de você, você não é mais o mesmo. A única diferença é você estar embaixo. Parece óbvio.
In My Life: "Some are dead and some are living". Alguns estão mortos e alguns estão vivos.

Revolver

Pela primeira vez, um desenho dos Beatles na capa. A música Taxman. Taxman ssignificaria Taxidermista, pessoa responsável em empalhar animais mortos e fazer parecer que ainda estão vivos. Na letra, existem várias referências a um possível acidente: "if you drive a car", "se você dirige um carro" e "if you get too cold", "se você ficar frio". E ainda: "my advice to those who die - taxman...". Meu conselho para aqueles que morrem, taxidermista.
Em Eleanor Rigby, Father McKenzie seria na verdade, Father McCartney. "Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave". Padre McCartney limpando a sujeira de suas mãos após sair do túmulo.
Em She Said She Said: "she said I know what it's like to be dead". Ela disse que eu sabia como é estar morto.
Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. "You're a new and better man". Você é um homem novo e melhor. "He does everything he can, Dr. Robert". Dr. Robert faz tudo o que pode fazer.

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
A capa, óbvio, é a representação de um sepultamento. Um dos arranjos de flores forma o desenho de um baixo Hofner semelhante ao que Paul tocava, inclusive virado para a direita. Paul era canhoto. O baixo tem apenas três cordas ao invés de quatro. Outro arranjo onde aparentemente está escrito Beatles na realidade deve ser lido como "Be At Leso" . Fique em Leso. Leso, seria o nome de uma pequena ilha no mar da Grécia, onde ele teria sido enterrado. Sobre sua cabeça, há uma mão aberta. Benção? Adeus?
Embaixo do T de Beatles, há uma pequena estatueta de Shiva, Deusa Hindu que representa a morte. Ela aponta para Paul.
Na foto da contracapa todos os beatles olham para a frente, menos ele. Na foto central, Paul usa uma insígnia onde está escrito OPD que no Canadá é sigla para "Officially Pronounced Dead" ou "Oficialmente Considerado Morto".
Na foto da bateria se você colocar um espelho horizontalmente cortando a frase "Lonely Hearts" e olhar a combinação da parte superior das letras, com o reflexo aparecerá a frase "one he die" se referindo à morte de um dos Beatles. Outra versão diz que a frase da bateria deve ser lida como " One IX He ^ Die", "One" é Onze (11), "IX" é nove (9) em romanos. A Seta entre "He" e “DIE” aponta diretamente para McCartney. Conclusão: no mês 11 (novembro), dia 9, ele (Paul) morreu. Na leitura americana, trata-se do mês 11 e do dia 9, mas na Inglesa entende-se setembro (9), dia 11. Mas já que Paul teria sofrido o acidente em uma quarta, bastou verificar e atestar que 9 de novembro de 1966 era uma quarta-feira. Na letra de Sgt. Pepper's Lonely hearts Club Band: "so let me introduce to you the one and only Billy Shears". Deixem-me apresentar o primeiro e único Billy Shears". Billy Shears pode ser lido também como "Billy is Here" ou seja "Billy (William) está aqui." Em Good Morning, Good Morning: “nothing to do to save his life". Nada pode ser feito para salvar sua vida. "People running around it's 5 o'clock...”. Pessoas andando em volta às 5 da manhã .Hora do possível acidente de Paul. A letra de A Day In The Life diz: "He blew his mind out in a car, he didn't notice that the lights had changed". Ele estourou sua cabeça num carro, ele não notou que as luzes (o semáforo) haviam mudado. "A crowd of people stood and stared they'd seen his face before, nobody was really sure if he was". Uma multidão de pessoas parou e assistiu, eles viram seu rosto antes, ninguém tinha certeza se ele era. Ainda na contra-capa, na foto dos Beatles, George Harrison aponta o dedo indicador exatamente para a frase de She´s Leaving Home que diz:”Wednesday morning at five o´clock as the day...". Quarta, às cinco da manhã.
Magical Mystery Tour

Paul está vestido de leão marinho, um símbolo da morte em algumas culturas. Na lista das canções no interior do álbum, em I Am the Walrus, de John, está escrito em parentêses logo abaixo: "No you´re not! Say Little Nicola!". Ora, se John está dizendo ser o Walrus na música por que alguém iria dizer que ele não era a tal criatura? Mais tarde no Álbum Branco, Lennon, em sua música Glass Onion fala: "and here´s another clue for you all... the walrus was Paul..." Outra pista para vocês, o Walrus era Paul! No clipe de George Harrison da música When We Was Fab, canção nostálgica sobre os tempos dos Beatles, Ringo Starr participa em vários instantes e, em determinado momento aparecem, George com a guitarra, Ringo na bateria... e o Walrus tocando seu baixo Hofner!
Se você olhar a capa do disco em um espelho as estrelas onde está escrito Beatles formam um número de telefone, 2317438. Quando se ligava para este número na época em que o disco foi lançado, ouvia-se a mensagem: "You're getting closer". Você está chegando bem perto".
No livro que vêm junto com o disco na versão original, destaca-se uma foto em espedial: eles dançando de branco. cada Beatle usa uma rosa na lapela. As de John, George e Ringo, são vermelhas. A de Paul, é preta.
Na foto central do encarte, no bumbo da bateria de Ringo, está escrito: "Love 3 Beatles". Os Beatles agora são apenas 3?
No desenho, vestidos de magos, no interior do álbum, Paul aparece com o gorro cobrindo parcialmente seu rosto, além de estar com os olhos fechados. É curioso também que a poeira de estrelas que os rodeia forma uma espécie de auréola sobre a cabeça dele.
Em Strawberry Fields Forever, é possível ouvir, ao final da música, a voz de Lennon dizer claramente "I Buried Paul". “Eu enterrei Paul”.
Em I Am The Walrus (Paul é o leão marinho) surge a mensagem "oh untimely death". Óh, morte sem fim! Essa frase aparece claramente junto a muitas outras no final, incluíndo: "bury my body" e "what, is he dead?" Estas versos fazem parte da peça King Lear de Shakespeare. Lennon as utilizou na edição sem nenhum propósito ... Quem saberá? Talvez, a resposta possa ser encontrada se for verificado um verso, de Paperback Writer, que diz: "...Its based on a novel by a man named Lear...". Precisa traduzir?
O nome do disco: Magical Mystery Tour, seria a jornada que todos os fãs, dos Beatles, e de Paul, teriam de percorrer para decifrar o enigma de sua morte.

White Álbum

Em I'm So Tired ao ouvir o trecho final da música ao inverso surge a voz de John Lennon dizendo "Paul is dead man, miss him miss him."
A música Revolution # 9 seria sobre a morte de Paul (o sobrenome tem 9 letras). Ao ouvir o verso "number nine" ao inverso surge a mensagem "turn me on dead man". Ainda ao inverso, pode-se ouvir outras pistas,entre elas: "Let me out!". Nas fotos colocadas em várias partes do poster, mais algumas curiosidades: Paul numa banheira, com a cabeça para fora da água dando uma assustadora impressão de decapitação. Paul entrando num trem ou em em um ônibus e duas mãos "fantasmagóricas" prontas para levá-lo para o "outro lado", podem ser vistas atrás dele.

Abbey Road

Na capa dos último disco dos Beatles atravessando a rua, Paul está com o passo trocado em relação aos outros, é o único fumando e segura o cigarro com a mão direita (é canhoto!), e está descalço (os mortos são enterrados no Tibeh, descalços) além de estar com os olhos fechados. John, de branco representaria um médico. Ringo, de preto, um padre, Paul, descalço, o cadáver e George, o coveiro. A placa do fusca branco é LMW 28IF. O LMW seria uma abreviação de "Linda McCartney Weeps". Linda McCartney Chora. Ou "Linda McCartney Widow". Linda McCartney Viúva). O 28IF seria 28, “SE”, Paul estivesse vivo, estaria com 28 anos. O Fusca na Inglaterra é chamado de "Beetle". E ainda há o furgão preto que aparece no lado direito como um rabecão. Na música que abre o álbum, na letra de Come Together , o verso: "one and one and one is three" ou "um mais um mais um são três" se refere claramente aos três Beatles restantes. Na contra-capa, ao lado direito da palavra Beatles, aparece uma imagem feita de luzes e sombras. Não é, nada mais, nada menos, do que uma caveira, com dois olhos, nariz e boca. Está tudo lá.